A gestão do prefeito Bruno Covas (PSDB) vai retomar o pagamento de uma bolsa trabalho a dependentes químicos da cracolândia. A iniciativa, similar à adotada pelo ex-prefeito Fernando Haddad (PT) por meio do programa De Braços Abertos, foi anunciada nesta segunda-feira e foca na redução de danos, ao contrário da linha defendida pelo governo federal e pelo governador João Doria (PSDB) quando este era prefeito. Ambos apoiam ações com foco na abstinência e internação forçada.

Segundo o novo programa, os usuários de drogas receberão R$ 698,46 por 20 horas semanais de trabalho em atividades como limpeza, jardinagem, construção civil, pintura, hidráulica, entre outras. Inicialmente, serão disponibilizadas 300 vagas e o participante poderá ficar no programa por, no máximo, dois anos. Depois desse prazo, a ideia é que ele consiga um emprego formal.

A principal diferença apontada pela gestão Covas entre os dois tipos de programa é o estágio em que o usuário será integrado a essa iniciativa. “A bolsa Operação Trabalho na gestão anterior era vista como parte do tratamento. Agora a gente a vê como uma ação já na fase de reinserção no mercado de trabalho, na vida social. É por isso que antes essa bolsa era vista como uma bolsa droga, porque na verdade ela só ajudava a financiar o vício. Agora, a bolsa trabalho é vista como uma porta de saída”, disse Covas.

De acordo com a secretária municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, Aline Cardoso, a inclusão no projeto não será apenas por meio de inscrição direta dos dependentes, como era no programa anterior. Ela diz que haverá um núcleo gestor de casos que avaliará quais usuários estão aptos a trabalhar segundo suas condições clínicas e psíquicas e adesão ao tratamento.

Ela afirmou ainda que os participantes precisarão ter frequência de 90% para receber a bolsa, mas que faltas justificadas serão consideradas. Outra mudança é que o pagamento será mensal e não semanal, como era no De Braços Abertos. Do total de 20 horas semanais exigidas, oito horas serão de trabalho efetivo, outras oito horas, de capacitação em um dos ofícios oferecidos e as quatro horas restantes, de capacitação socioemocional.

Cerimônia marca início da 2ª fase do programa Redenção

As mudanças foram anunciadas por Covas durante cerimônia para assinatura da Política Municipal sobre Álcool e Outras Drogas e do decreto que a regulamenta. Com a sanção, que marca o início da segunda fase do programa Redenção, promove algumas mudanças na organização dos serviços de atendimento aos dependentes.

A principal novidade é a transferência dos hotéis de acolhimento aos usuários da região central para bairros mais periféricos, para que os usuários não fiquem perto do chamado fluxo, aglomeração de usuários e traficantes de drogas na região da Luz

“Um dos grandes erros do programa De Braços Abertos foi ter mantido os hotéis perto da região da Luz. Isso não será replicado no nosso programa”, disse Arthur Guerra, médico psiquiatra coordenador do programa Redenção. Com a assinatura das novas normas, os equipamentos municipais passam a integrar o Serviço Integrado de Acolhida Terapêutica (SIAT), que serão divididos em três níveis.

Foto:Paulo Guereta AE