Agência Estado – Foto: Marcos Santos/USP Imagem

A discussão das questões ambientais tem se tornado cada vez mais frequente no cotidiano das pessoas, vide a polêmica sobre os incêndios na Amazônia. Entretanto, atitudes simples, como reciclar materiais, ainda está distante da realidade dos paulistanos. Dados da Autoridade Municipal de Limpeza Urbana (Amlurb) apontam que a coleta seletiva registrou queda na gestão do prefeito Bruno Covas (PSDB).

No primeiro semestre deste ano, foram arrecadadas 39.363 toneladas de materiais recicláveis em São Paulo, número pouco superior ao ano passado, em que foram 38.427 toneladas. Covas assumiu a Prefeitura em abril de 2018, quando o governador João Doria (PSDB) deixou o comando da cidade para concorrer à eleição.

Considerando apenas o período do primeiro semestre, os índices de coleta seletiva eram superiores em 2017 (43.527), no primeiro ano de Doria, e em 2016 (43.288) e 2015 (41.402), nos dois últimos anos do mandato do ex-prefeito Fernando Haddad (PT).

Enquanto os recicláveis são deixados de lado, a coleta domiciliar mantém o nível nos últimos anos. Considerando apenas os primeiros semestres, em 2019 foram 1.838.739 toneladas coletadas, inferior a 2018 (1.842.694) e 2015 (1.886.605).  

Na opinião de Ariovaldo Caodaglio, especialista em coleta seletiva e consultor do Sindicato das Empresa de Limpeza Urbana (Selur), falta interesse do poder público em fomentar a mudança de hábito da população. Ele acredita que o tema deve ganhar maior destaque nas eleições de 2020, principalmente pela preocupação das novas gerações com a defesa do meio ambiente. “Os programas de governo deverão conter itens sobre o que a cidade deverá fazer com os resíduos sólidos”, avalia.

O consultor ambiental Alexandre Kise ponderou que a crise econômica pode ser uma das razões para a queda da coleta seletiva. “O preço dos materiais recicláveis cai e afeta diretamente as cooperativas de catadores”, opina. Ele considera que faltam políticas públicas para alavancar a coleta seletiva.

Usinas de reciclagem são subutilizadas pela Prefeitura

As duas Centrais Mecanizadas de Triagem da Prefeitura, localizadas na Sé e em Santo Amaro, ficam ociosas na maior parte do tempo. Cada uma consegue processar até 250 toneladas de recicláveis por dia. Juntas, têm a possibilidade de atingir 182,5 mil toneladas de resíduos. Atualmente, as usinas funcionam apenas com 20% da capacidade.

Segundo o especialista em coleta seletiva, Ariovaldo Caodaglio, as centrais mecanizadas são modernas, mas pouco utilizadas. Ele acredita que os paulistanos não são estimulados para separarem os materiais recicláveis. “Poderia ter um bônus a ser usado pelos que fizerem a coleta seletiva e uma punição para os que não fizerem”, avalia.

Caodaglio acredita que as pessoas apenas irão se esforçar para melhorar a coleta seletiva se houver apelo financeiro. “Fazer campanha com data de início e fim não tem funcionado”, aponta.

Para o consultor ambiental Alexandre Kise, o governo não investe em coleta seletiva pelo custo. “É mais barato levar o lixo para o aterro sanitário”, diz. Ele considera que medidas punitivas para quem não separar os recicláveis, como ocorrem na Europa, vão demorar para ser implementadas no Brasil. “Aqui ainda há terrenos para os aterros sanitários. Quando não houver, o que não vai demorar para acontecer, os gastos vão subir, já que coleta seletiva, usina de compostagem e queima de lixo são mais caros”, explica.

Amlurb destaca ações realizadas

Em nota, a Amlurb destacou que, de janeiro a junho deste ano, foram colhidas 39.362 mil toneladas de materiais recicláveis, o que representa um aumento de 2,5% em relação ao mesmo período de 2018. A autarquia informou que o serviço de coleta seletiva domiciliar está presente em 75% das vias paulistanas e é operado pelas concessionárias Loga e Ecourbis.

“As concessionárias realizam o recolhimento do resíduo e destinam prioritariamente para as 25 Cooperativas de Catadores e depois para as duas Centrais Mecanizadas de Triagem”, aponta. O Programa de Metas para 2020 estabelece que serão destinados, no total, R$ 422 milhões entre custeio e investimentos para expandir o serviço para toda a cidade.

A Amlurb ponderou também que os recicláveis coletados por catadores informais, artesões e empresas privadas não integram o levantamento municipal. O órgão considera ainda que a redução das embalagens está relacionada à diminuição do consumo das famílias.

Como alternativa para as vias que não tem o atendimento porta a porta, o município disponibiliza 102 ecopontos, que são locais de entrega voluntária de pequenos volumes de entulho, grandes objetos (móveis, poda de árvores etc) e resíduos recicláveis de até 1 m³ por munícipe gratuitamente. Confira todos os endereços no site www.amlurb.sp.gov.br. Outras informações podem ser obtidas pelo site reciclasampa.com.br.