Um dos principais intelectuais da atualidade, o historiador Leandro Karnal foi o grande destaque da Bienal do Livro de Guarulhos “Páginas que Conectam”. Um público com mais de 350 pessoas lotou o auditório principal do evento para prestigiar a palestra “O dilema do porco espinho – Como encarar a solidão”, que também dá nome à sua mais recente obra.

Sucesso de público por onde passa e até mesmo nas redes sociais, Karnal apontou maneiras de tornar a solidão em momento criativo, quando uma pessoa aproveita o isolamento, por exemplo, para pensar sobre si mesmo, seus valores, seu comprometimento com a sociedade. Tal ideia vai de encontro à solidão destrutiva, que gera apenas tristeza e depressão.

“A maneira destrutiva nós chamamos solidão; a construtiva, solitude. A dor, o sofrimento, o envelhecimento e a morte são inevitáveis, mas o sofrimento é opcional. Quanto mais você souber cultivar uma solidão construtiva, solitude, mais você vai se aproximar de uma vida plena”, define Karnal.
Durante a palestra, Karnal falou ainda sobre a importância da leitura, de como ela torna a existência humana mais interessante: “A velhice de quem não lê é muito solitária. Ao ler, percorremos o mundo. É preciso descobrir que a leitura é uma grande companhia, um belo exercício de incorporar uma personagem e viver uma grande aventura, quem não lê está fadado à solidão, não há companhia melhor que a de um livro, a decisão de ler deve ser pessoal, forte e firme, quanto mais interesse pelos livros e suas histórias, mais interessante você será, ler te faz descolar do senso comum”, destaca.

Segundo Karnal, diante da crise atual em que grandes livrarias estão fechando suas portas e na qual muitos livros são baixados de forma virtual, a leitura ainda permanece fundamental.
“É muito importante o que a Prefeitura de Guarulhos está realizando com a Bienal do Livro. Pessoas estão tendo a oportunidade e acesso aos livros, nós temos jovens, crianças e pessoas de mais idade brincando e se divertindo, e isso é fundamental. Guarulhos fez exatamente o que todo poder público tem a fazer, incentivo à leitura para as pessoas”, concluiu.

Além disso, toda a palestra foi acessível, traduzida em LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais), pelas interpretes Regina Fernandes e Danny Lima.

Foto: Fábio Nunes Teixeira/PMG

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